sábado, 17 de março de 2012

FAZENDAS ABANDONADAS EM CARAÚBAS


Acompanhei o fotógrafo Henrique José nos dias 10 e 11 de abril de 2010, fotografando para o projeto “Território Sertão do Apodi - Nas Pegadas de Lampião", projeto do SEBRAE.  Aproveitei o momento para registrar um pouco da história de minha cidade, um lugar onde os apaixonados pelo ecoturismo ficarão encantados com a sua beleza rusticamente sertaneja, o Eco Cultural. Casarios, igrejas e sobrados de arquitetura secular. Por outro lado fiquei chocado com o abandono de várias fazendas, das quais mostro aqui quatro entre as mais importantes para a história do município de Caraúbas.
 Casa grande da Fazenda Sabe Muito (1868), Casa do Sabe Muito, como é mais conhecida a maior casa do município, onde já teve até uma casa de farinha em suas dependências e ainda tem em suas terras um olho d’água que jorra água potável, mas a casa está abandonada depois que foi tombada pelo poder público como patrimônio histórico. Tombamento é um ato administrativo realizado pelo poder público para preservar... Não é o que se vê aqui.
Esta casa pertenceu ao casal: Antônio Fernandes Pimenta (Capitão) e Francisca Romana do Sacramento (filha de Manoel Carneiro de Freitas), casal este que fez a junção de Fernandes e Carneiro em Caraúbas e adjacências.
                                                          Foto: Dudé Viana
                                             Fazenda Sabe Muito, recentemente caiu o telhado da antiga
                                                casa de farinha na lateral esquerda da casa.



                                                              Foto: Dudé Viana
                                            Lateral da Fazenda Sabe Muito - totalmente abandonada...
                                         

 Fazenda São Vicente, o berço da família Gurgel no município de Caraúbas, tem idade aproximada com a  da Fazenda Sabe Muito.  Aqui em 1927 o bando de Lampião quando seguia para atacar a cidade de Mossoró estuprou uma jovem mulher de nome Mariquinha.

                                                              Foto: Dudé Viana
                                                 Fazenda São Vicente - outra que está totalmente abandonada...


                                                              Foto: Dudé Viana
                                                    Lateral da Fazena São Vicente - é muita linda por dentro...


Fazenda Nova York, que pertenceu ao major Luiz Carlos, onde meu tio Abraão Benevides foi criado, teve a sua importância no município, mas também está abandonada...

                                                               Foto: Dudé Viana
                                                                  Fazenada Nova York


                                                                 Foto: Dudé Viana
                                                   Lateral da Fazenada Nova York



Casa de Quincas Saldanha.  Não consegui registrar na foto, mas no lado esquerdo desta casa tem um muro com várias aberturas, por onde "os homens de Quincas” enfiavam os canos de suas armas de fogo durante os ataques de inimigos.

Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, não hesitou ao ser cooptado por cangaceiro de nome Massilon Benevides Leite para aglutinar forças e rumar à cidade de Mossoró, visando atacá-la e se beneficiar do capital acumulado graças à dinâmica e economia desse município.

 O ataque a Mossoró aconteceu a 13 de junho de 1927, onde os criminosos perderam na batalha..., no entanto, a comitiva de Lampião não passou pela cidade de Caraúbas em respeito ao velho Quincas Saldanha, o Gato Vermelho, como Lampião o chamava.


                                                          Foto: Dudé Viana
                                                                  Casa de Quincas Saldanha


                                                            Foto: Dudé Viana
                                            As irmãs Cláudia e Carla Carneiro e o blogueiro Assi Sales,
                                            que nos auxiliaram...



MUNDÓ DA BAIXA FRIA


                                                           Foto: Orley Gurgel
Toinho de Chagas visita antiga casa de Mundó da Baixa Fria

Em 27 de novembro de 2007, um domingo, Orley Gurgel, Toinho de Chagas e Leonilton de Francino Benevides visitaram a Fazenda Baixa Fria, antes habitada por Mundó Benevides e seus familiares, revendo açudes, casas, engenho e tudo aquilo que antes funcionava e dava vida a esta fazenda.
Nesta casa morou “Mundó da Baixa Fria”, como era conhecido, irmão de Soriano da Boágua, Adalto do Igarapé, Chiquinho do Igarapé, Elpídio do Belém, Dona “Angelha” do Igarapé (Casada com Chagas de Lola da Ursulina, pais do Padre Benevides), Melinha (do Igarapé, mãe de Caçula Benevides), todos - filhos da “Velha Mafalda”.
Toinho de Chagas (irmão do Padre Benevides) aparece na imagem captada por Orley Gurgel às 17h27min no momento em que ele contava um evento ocorrido na época em que Mundó ainda morava por aqui.
Certa vez... Toinho foi passar alguns dias na Baixa Fria e por lá sempre ajudava na “luta do gado”. Conta que um dos bois da fazenda tropeçou e caiu sobre uma pedra (a que ele aponta na foto) e quebrou um osso da parte trazeira, ficando impossibilitado de andar normalmente. Naquele instante Mundó ordenou que matassem o boi para que a carne fosse aproveitada.
Na Baixa fria de tudo tinha... queijo, coalhada, milho, feijão, arroz, carne de gado, carne de porco, galinha, engenho de cana-de-açucar para feitura do mel e da rapadura e por ai vai.
Hoje, em frente a uma moradia em ruínas, narramos as lembranças dos belos e bons momentos passados.



LÔLA DA URSULINA

Abaixo a narrativa de Orley Gurgel, expressa o sentimento do jovem que nesta casa viveu felicidade:

Aos vinte e seis dias do mês de janeiro de 2009 (uma segunda-feira) voltei a um belo lugar que estive quando criança: a antiga fazendo de meu bisavô Lourenço Gurgel do Amaral - o "Lôla da Ursulina". Após uma longa visita, acompanhado do primo (e também bisneto) Júnior Gurgel e de seu avô Alfredo Sales, às 17h38min captei esta imagem, buscando o mesmo ângulo de uma antiga fotografia da época em que a vida neste local suplantava as tétricas cenas de abandono por nós observadas naqueles instantes.


                                                        Foto: Orley Gurgel    
Casa e empório de "Lôla da Ursulina"

Alfredo aos 87 anos, que na foto está apoiando sua mão no “pé de figo”, de camisa branca à direita da foto, ia narrando durante a visita tudo aquilo que presenciou e vivenciou nesta fazenda. Não apenas assistimos ele contar a história... "sentimos" a verdadeira História. Ele morou aqui... Conviveu.
"Lola" (08/01/1875 - 24/01/1946) foi casado com "Dona Mariinha" (Maria Fernandes Praxedes - 08/08/1871 a 24/03/1938) e juntos viveram nesta casa por longos anos.
Casa? Não! Tudo isso foi um complexo residencial, uma bodega... como poderíamos melhor dizer: um empório.
À esquerda da imagem (e da grande árvore) observa-se a "casa de morada", onde, nos padrões da época, também, além das redes e das “espreguiçadeiras”, era possível amarrar embaixo do alpendre alguns animais para que descansassem.
Mais ao centro, entre uma árvore e outra (na frente do vão que contém a parede mais escura) ficava o quartinho (armazém) da lida diária da fazenda, onde se guardavam arreios, chocalhos, celas, chicotes, acessórios de couro, etc. e ainda por lá dormiam os vaqueiros.
Na parte direita da foto (onde podemos observar uma parede caída) era o armazém, local de seu comércio. Aqui, de tudo havia, comprava e vendia... o dinheiro “girava”.
Mais ainda na parte extrema direita (quase por trás do “pé de figo” e de Alfredo) era a garagem ou abrigo para animais de montaria.
Por trás de tudo isso (que podemos ver nas fotos), ainda existia os armazéns dos produtos comercializados por “Lôla”.


                                                                                           Foto: Orley Gurgel
Lateral esquerda da Casa de "Lôla da Ursulina"

Neste local Caçula Benevides tocou no início de sua carreira. Nesta casa morou o Padre Benevides na época em que iniciou seus estudos;
O tempo passa... na década de noventa esta fazenda foi divida em lotes para assentamento de famílias da região. No projeto... este complexo seria uma área comum a todos, um centro de apoio... uma sede que estava pronta.
Tudo iniciou como planejado... reuniões aqui ocorriam, mas o tempo... a natureza... lutou contra aqueles que, sem forças para enfrentá-la, não conseguiram envidar esforços para manter estas estruturas utilizáveis...
Mas, o azul do céu continua... “porquanto és pó e em pó te tornarás” (Génesis 3:19)

Orley Gurgel, Natal/RN – 01/02/2009.


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