sábado, 24 de março de 2012

“Estradeiro” Representa o RN no II Festival de Músicas do Cangaço


                               Poema de Hélio Crisanto, musicado por Zeca Brasil, com interpretação da cantora Lysia Condé, “Estradeiro” está classificada para a final do II Festival de Músicas do Cangaço, que ocorrerá no próximo dia 28 de abril, na Estação do Forró, na cidade pernambucana de Serra Talhada, terra natal de Virgulino Ferreira da Silva, “Lampião”, o Rei do Cangaço.


                                                                                        Reprodução
Capa de Retrato Sertanejo de Hélio Crisanto


                             “Estradeiro” está no livro Retrato Sertanejo, do poeta Hélio Crisanto, editado pela Supercopia Gráfica Express, de Santa Cruz, na região do Agreste Potiguar, no ano de 2008.

                                     
                                                                   Foto: Cedida
Hélio Crisanto com Gilberto Cardoso no palco


                                “Na vereda do destino/Já pisei muitos espinhos/No lodo do meu caminho/Tropecei entre o cascalho/Sou terra seca no malho/Semente que não germina/Sou a luz da lamparina/Clareando a vastidão/Sou a lua do sertão/No decote da colina”. A primeira estrofe da obra resume como o poeta define sua criação: “Estradeiro é um pouco da estrada da vida”.

                                                    
                                                                           Foto: Orley Gurgel
Zeca Brasil, Dudé Viana e Epitácio Andrade


                                Musicada pelo laureado cantor Zeca Brasil, que na foto aparece com pesquisadores do cangaço, a segunda estrofe da poesia ilustra a sua harmonia com a música: “Trago na mala/A viola e o repente/E o grito desse gente/Que tem sede e quer o pão/Numa nação/Que despreza os desvalidos/E a dor dos oprimidos/Faz doer o coração”.

    
                                                                 Foto: Lilian Holanda
Epitácio Andrade, Gilberto Cardoso e Hélio Crisanto



                             Não é a primeira vez que Hélio Crisanto incursiona pelo universo do cangaço. No período de 08 a 10 de julho do ano passado, na companhia de Epitácio Andrade, Gilberto Cardoso e outros cangaceirólogos, participou ativamente das atividades socioculturais do cortejo “Cangaço e Negritude”, por várias cidades do interior do Rio Grande do Norte e da Paraíba, como registra a foto da passagem pelo Instituto Cultural “Casa do Beradero”, do ativista cultural Chico César, em Catolé do Rocha.


                                 A estrofe seguinte, com humor e arte, alude ao cangaço: “Sou estradeiro/Sou o fogo do corisco/Sou faca que fez o risco/No bucho de Lampião/Sou cantador, sou fulo que não se cheira/Sou raiz da catingueira/Ressequida pelo chão”.

                                                     
                                                                                    Reprodução
Cantora Lysia Condé

                                    “Não sou herói/Bandoleiro ou vagabundo/Carrego as dores do mundo/Nos meus ombros de menino/Fujo a galope nas asas da ventania/Meia noite, meio dia/Vou correndo em desatino”, conclui-se o poema “Estradeiro”, de Hélio Crisanto, cuja música de Zeca Brasil, parece ter sido criada para a graciosidade e suavidade da intérprete Lysia Condé.


Texto: Epitácio Andrade


quinta-feira, 22 de março de 2012

BANDA MAESTRO JOAQUIM AMÂNCIO

PESQUISAS HISTÓRICAS SOBRE A BANDA DE MÚSICA DE CARAÚBAS/RN



Na década de 80 do século passado, três jovens na incessante e curiosa vontade de entender a origem da banda de música de Caraúbas, mergulham no assunto buscando e organizando informações a respeito desse tema.

Marcos Roberto Fernandes Gurgel, conhecido como Prof. Marquinhos (ou Marquinhos de Demilson ou Marquinhos da banda, dentre outros), Antônio Gomes de Sales mais conhecido com Maestro Toinho (ou Toinho de Salu) e eu, Orley Carneiro Gurgel, conhecido como Orley Gurgel, fomos os protagonistas desta história.

                                              Foto: Arquivo de Orley Gurgel
                                A Banda de Música de Caraúbas em 1898. Foto restaurada por Orley Gurgel



Começa então a busca por informações. O maestro Salu, sem hesitar, com grande prazer passou a fornecer informações e contar histórias que havia presenciado ou ouvira contar dos antepassados sobre cada momento da Banda de música de Caraúbas ou sobre seus componentes, principalmente sobre os Maestros que por ela passaram.

As primeiras informações passadas por Salú nos levavam à origem musical de nossa banda: Campo Grande. De lá, chegaram os primeiros ensinamentos musicais.

                                                        Foto: Arquivo de Orley Gurgel
                                                       A Banda em 1968.



Na busca por informações pensamos em viajar até Campo Grande para entrevistar pessoas que presenciaram, vivenciaram parte desta história, mas numa época de grandes dificuldades, viajar até aquele local seria uma grande dificuldade... uma odisséia para nós que estávamos pesquisando e iniciando o entendimento da vida, o entendimento de tudo.

                                               Foto: Orley Gurgel
                                        Maestro Antônio Gomes de Sales na frente comanda a  Banda, em
                                        20/01/2009, na missa do Padre Benevides.


Apesar da proximidade de um município com o outro, naquela época, para nós que não tínhamos empregos ou não ganhávamos dinheiro era uma grande barreira a ser vencida. Éramos grandes no pensamento e insignificantes no mundo.

Eis que surge uma luz no fim do túnel, meu pai, José Maria Gurgel (Zé Maria) patrocinou estas viagens até Campo Grande, nos levando de carro até lá. Levava-nos logo pela manhã e ia nos buscar à tarde, após os trabalhos de pesquisas, nos proporcionando a facilidade que precisávamos. Foi uma grande aventura.

.                                                       Foto: Orley Gurgel
Prof. Marcos Roberto Gurgel Fernandes


Em uma das entrevistas que fizemos com o Sr. Manoel Mocó (pai de Dona Paula – mãe de José Mocó) durante as gravações, de grande importância para o trabalho, o dia-a-dia corria ao nosso lado, até o galo cantava sem cerimônia e tudo ficava registrado nas gravações.


                                                                 Foto: Arquivo de Orley Gurgel
                                                          Orlando Carneiro Gurgel - Sax e Orley Gurgel -
                                                           Requinta.


As pesquisas avançavam e Salu nos concedia entrevistas periódicas, ajudando-nos a organizar as informações. Sua biografia foi contada e ditada por ele, que, sentado em uma espreguiçadeira na sala de sua casa, aguardava pacientemente que transcrevêssemos para o papel o que ele queria que fosse registrado. Ao final, tínhamos que ler para ele o que havia sido anotado, para a sua aprovação final.

Salu lutou para que o nome de Joaquim Amâncio fosse eternizado prestando uma grande homenagem a aquele que travou grandes batalhas para manter a banda viva e em funcionamento: O maestro e Prof. Joaquim Amâncio.

                                                Foto: Sávia Fernandes
                                Cassiano Fernandes, Oberlan Carneiro, José  Maria Gurgel,
                                Orley Gurgel, Dudé Viana e Orlando Gurgel, durante a Celebração
                                Eucarística de 1 ano de saudades do Padre Benevides em 31/12/2011,
                                na Matriz de São Sebastião de Caraúbas.
                               (Dos 6 aqui, Dudé Viana é o único que não teve nenhuma participação
                                na banda).

Assim, escrevemos sobre cada maestro, sobre grandes momentos da Banda de música, gerando toda a base de pesquisas e informações conhecidas atualmente, que depois foram sendo ampliadas por Toinho de Salu e Seu Cassiano Fernandes.

Citados aqui na sequência histórica, os maestros Raimundo Cândido Ribeiro de Menezes, Obdon Fernandes Carneiro de Oliveira, Elízio Fernandes Carneiro de Oliveira (pai de Jonas Gurgel), Pedro Batista de Morais, Joaquim Amâncio (Pai de “Seu” Celso da Pensão), Altino de Brito (Sr. Altino), Antônio Rosendo Pires, Raimundo Nonato Gurgel de Paiva (Nonato da Padaria), Luiz Antônio Filho (Luizinho da Igreja), Salustiano Gomes de Sales (Salu) e Antônio Gomes de Sales (Toinho de Salu) são os responsáveis pela longa trajetória da banda, de 1870 ate os dias atuais.

Toinho, na época, nem sonhava em ser maestro, mas com grande dedicação deu sequência ao trabalho de seu pai, cuidando sempre para que a Banda funcione bem e orgulhe os caraubenses, mesmo diante de grandes dificuldades, mantendo e adicionando o conhecimento musical e histórico, preservado-os ao longo de todos estes anos.

Participei da banda por muito tempo, assim como meu tio Tonininho (Antonino Benevides Carneiro Filho) e meus irmãos Orlando e Oberlan. Mas, o trabalho longe de casa e o tempo escasso para tal tarefa proveram meu afastamento do convívio musical com grandes amigos que até hoje fazem parte desta Banda.

                                                               Foto:Arquivo de Dudé Viana
O advogado Antonino Benevides Carneiro Filho
 (Tonininho)


A tuba, o bombardino, o trombone, o clarinete e a requinta foram os instrumentos que traçaram minha trajetória nesta banda, da qual ainda hoje tenho saudades e fazem relembrar os grandes momentos no convívio deste grupo.

Natal, 19 de março de 2012.

Orley Carneiro Gurgel.


O maestro e o cantor/escritor falam de Caraúbas e seus talentos musicais...

                                                                        Foto: Sociedadeativa.net
                                          Maestro Toinho de Salú e Dudé Viana durante a
                                          tarde de autógrafos do livro "A Saga Benevides Carneiro"
                                          em janeiro de 2011, na AABB de Caraúbas.



                                                                               Foto: Orley Gurgel
                                            Sou apenas um músico simpatizante dessa extraordinária
                                           banda e que sente prazer e orgulho em vestir esta camisa.
                                                                                      Dudé Viana

sábado, 17 de março de 2012

FAZENDAS ABANDONADAS EM CARAÚBAS


Acompanhei o fotógrafo Henrique José nos dias 10 e 11 de abril de 2010, fotografando para o projeto “Território Sertão do Apodi - Nas Pegadas de Lampião", projeto do SEBRAE.  Aproveitei o momento para registrar um pouco da história de minha cidade, um lugar onde os apaixonados pelo ecoturismo ficarão encantados com a sua beleza rusticamente sertaneja, o Eco Cultural. Casarios, igrejas e sobrados de arquitetura secular. Por outro lado fiquei chocado com o abandono de várias fazendas, das quais mostro aqui quatro entre as mais importantes para a história do município de Caraúbas.
 Casa grande da Fazenda Sabe Muito (1868), Casa do Sabe Muito, como é mais conhecida a maior casa do município, onde já teve até uma casa de farinha em suas dependências e ainda tem em suas terras um olho d’água que jorra água potável, mas a casa está abandonada depois que foi tombada pelo poder público como patrimônio histórico. Tombamento é um ato administrativo realizado pelo poder público para preservar... Não é o que se vê aqui.
Esta casa pertenceu ao casal: Antônio Fernandes Pimenta (Capitão) e Francisca Romana do Sacramento (filha de Manoel Carneiro de Freitas), casal este que fez a junção de Fernandes e Carneiro em Caraúbas e adjacências.
                                                          Foto: Dudé Viana
                                             Fazenda Sabe Muito, recentemente caiu o telhado da antiga
                                                casa de farinha na lateral esquerda da casa.



                                                              Foto: Dudé Viana
                                            Lateral da Fazenda Sabe Muito - totalmente abandonada...
                                         

 Fazenda São Vicente, o berço da família Gurgel no município de Caraúbas, tem idade aproximada com a  da Fazenda Sabe Muito.  Aqui em 1927 o bando de Lampião quando seguia para atacar a cidade de Mossoró estuprou uma jovem mulher de nome Mariquinha.

                                                              Foto: Dudé Viana
                                                 Fazenda São Vicente - outra que está totalmente abandonada...


                                                              Foto: Dudé Viana
                                                    Lateral da Fazena São Vicente - é muita linda por dentro...


Fazenda Nova York, que pertenceu ao major Luiz Carlos, onde meu tio Abraão Benevides foi criado, teve a sua importância no município, mas também está abandonada...

                                                               Foto: Dudé Viana
                                                                  Fazenada Nova York


                                                                 Foto: Dudé Viana
                                                   Lateral da Fazenada Nova York



Casa de Quincas Saldanha.  Não consegui registrar na foto, mas no lado esquerdo desta casa tem um muro com várias aberturas, por onde "os homens de Quincas” enfiavam os canos de suas armas de fogo durante os ataques de inimigos.

Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, não hesitou ao ser cooptado por cangaceiro de nome Massilon Benevides Leite para aglutinar forças e rumar à cidade de Mossoró, visando atacá-la e se beneficiar do capital acumulado graças à dinâmica e economia desse município.

 O ataque a Mossoró aconteceu a 13 de junho de 1927, onde os criminosos perderam na batalha..., no entanto, a comitiva de Lampião não passou pela cidade de Caraúbas em respeito ao velho Quincas Saldanha, o Gato Vermelho, como Lampião o chamava.


                                                          Foto: Dudé Viana
                                                                  Casa de Quincas Saldanha


                                                            Foto: Dudé Viana
                                            As irmãs Cláudia e Carla Carneiro e o blogueiro Assi Sales,
                                            que nos auxiliaram...



MUNDÓ DA BAIXA FRIA


                                                           Foto: Orley Gurgel
Toinho de Chagas visita antiga casa de Mundó da Baixa Fria

Em 27 de novembro de 2007, um domingo, Orley Gurgel, Toinho de Chagas e Leonilton de Francino Benevides visitaram a Fazenda Baixa Fria, antes habitada por Mundó Benevides e seus familiares, revendo açudes, casas, engenho e tudo aquilo que antes funcionava e dava vida a esta fazenda.
Nesta casa morou “Mundó da Baixa Fria”, como era conhecido, irmão de Soriano da Boágua, Adalto do Igarapé, Chiquinho do Igarapé, Elpídio do Belém, Dona “Angelha” do Igarapé (Casada com Chagas de Lola da Ursulina, pais do Padre Benevides), Melinha (do Igarapé, mãe de Caçula Benevides), todos - filhos da “Velha Mafalda”.
Toinho de Chagas (irmão do Padre Benevides) aparece na imagem captada por Orley Gurgel às 17h27min no momento em que ele contava um evento ocorrido na época em que Mundó ainda morava por aqui.
Certa vez... Toinho foi passar alguns dias na Baixa Fria e por lá sempre ajudava na “luta do gado”. Conta que um dos bois da fazenda tropeçou e caiu sobre uma pedra (a que ele aponta na foto) e quebrou um osso da parte trazeira, ficando impossibilitado de andar normalmente. Naquele instante Mundó ordenou que matassem o boi para que a carne fosse aproveitada.
Na Baixa fria de tudo tinha... queijo, coalhada, milho, feijão, arroz, carne de gado, carne de porco, galinha, engenho de cana-de-açucar para feitura do mel e da rapadura e por ai vai.
Hoje, em frente a uma moradia em ruínas, narramos as lembranças dos belos e bons momentos passados.



LÔLA DA URSULINA

Abaixo a narrativa de Orley Gurgel, expressa o sentimento do jovem que nesta casa viveu felicidade:

Aos vinte e seis dias do mês de janeiro de 2009 (uma segunda-feira) voltei a um belo lugar que estive quando criança: a antiga fazendo de meu bisavô Lourenço Gurgel do Amaral - o "Lôla da Ursulina". Após uma longa visita, acompanhado do primo (e também bisneto) Júnior Gurgel e de seu avô Alfredo Sales, às 17h38min captei esta imagem, buscando o mesmo ângulo de uma antiga fotografia da época em que a vida neste local suplantava as tétricas cenas de abandono por nós observadas naqueles instantes.


                                                        Foto: Orley Gurgel    
Casa e empório de "Lôla da Ursulina"

Alfredo aos 87 anos, que na foto está apoiando sua mão no “pé de figo”, de camisa branca à direita da foto, ia narrando durante a visita tudo aquilo que presenciou e vivenciou nesta fazenda. Não apenas assistimos ele contar a história... "sentimos" a verdadeira História. Ele morou aqui... Conviveu.
"Lola" (08/01/1875 - 24/01/1946) foi casado com "Dona Mariinha" (Maria Fernandes Praxedes - 08/08/1871 a 24/03/1938) e juntos viveram nesta casa por longos anos.
Casa? Não! Tudo isso foi um complexo residencial, uma bodega... como poderíamos melhor dizer: um empório.
À esquerda da imagem (e da grande árvore) observa-se a "casa de morada", onde, nos padrões da época, também, além das redes e das “espreguiçadeiras”, era possível amarrar embaixo do alpendre alguns animais para que descansassem.
Mais ao centro, entre uma árvore e outra (na frente do vão que contém a parede mais escura) ficava o quartinho (armazém) da lida diária da fazenda, onde se guardavam arreios, chocalhos, celas, chicotes, acessórios de couro, etc. e ainda por lá dormiam os vaqueiros.
Na parte direita da foto (onde podemos observar uma parede caída) era o armazém, local de seu comércio. Aqui, de tudo havia, comprava e vendia... o dinheiro “girava”.
Mais ainda na parte extrema direita (quase por trás do “pé de figo” e de Alfredo) era a garagem ou abrigo para animais de montaria.
Por trás de tudo isso (que podemos ver nas fotos), ainda existia os armazéns dos produtos comercializados por “Lôla”.


                                                                                           Foto: Orley Gurgel
Lateral esquerda da Casa de "Lôla da Ursulina"

Neste local Caçula Benevides tocou no início de sua carreira. Nesta casa morou o Padre Benevides na época em que iniciou seus estudos;
O tempo passa... na década de noventa esta fazenda foi divida em lotes para assentamento de famílias da região. No projeto... este complexo seria uma área comum a todos, um centro de apoio... uma sede que estava pronta.
Tudo iniciou como planejado... reuniões aqui ocorriam, mas o tempo... a natureza... lutou contra aqueles que, sem forças para enfrentá-la, não conseguiram envidar esforços para manter estas estruturas utilizáveis...
Mas, o azul do céu continua... “porquanto és pó e em pó te tornarás” (Génesis 3:19)

Orley Gurgel, Natal/RN – 01/02/2009.


sexta-feira, 16 de março de 2012

O Sobrado do Belém


 
                                Construção arquitetônica do século XIX, o sobrado de Belém do Brejo do Cruz, na microrregião do Catolé do Rocha, no Sertão Paraibano, também é guardião de parte da história do legendário cangaceiro Jesuíno Brilhante (1844-79), morto nas proximidades, em fatídica emboscada comandada pelo cabo Preto Limão, no Serrote da Tropa, na Comunidade Rural Santo Antônio, margens do Riacho dos Porcos, no vizinho município de São José de Brejo do Cruz, terra natal do cantor Zé Ramalho.

                                                              Foto: Epitácio Andrade
Sobrado de Belém do Brejo do Cruz/PB.


                              Abandonado há vários anos, a relíquia imperial de fantásticas estórias, contadas de geração para geração, mantém-se como testemunha da história do sertão, resistindo às intempéries no meio da caatinga.


                                                                      Foto: Epitácio Andrade
O sobrado de Belém no meio da caatinga


                                 O poeta José Augusto Araújo, em “De Grão em Grão, Belém é Contado”, registrou em versos a sua existência: “Logo depois o Sobrado/A mais velha construção/Que desejamos um dia/O tempo dá solução,/E das ruínas nascer/Um sobrado de lição”.


                                                                     Foto: Epitácio Andrade
O pátio do sobrado de Belém


                             O cordelista Augusto Araújo, das glebas do Patu, também registrou a vizinhança do velho sobrado, com o lugar de nascimento do famanaz Jesuíno Brilhante: “Seus vizinhos são assim:/Ao leste Jucurutu/Que pouco temos contato,/Diferente de Patu/Que costumamos dá as mãos/Lá no sítio Tuiuiú”.



                                                                                         Foto: Canuto Saraiva
Epitácio Andrade na vizinhança do sobrado de Belém

                               
                           Filho do belenense Epitácio Andrade, autor de “A Saga dos Limões – Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante”, conclui lançando um apelo: “Salvemos o Sobrado do Belém!”

Texto de Epitácio Andrade

quarta-feira, 14 de março de 2012

DIA DA POESIA - SAUDAÇÕES AOS AMIGOS POETAS!

Neste Dia Nacional da Poesia - 14 de março - acordei pensando nos meus dias de pesquisas para escrever o livro “A Saga Benevides Carneiro”, e cheguei à conclusão, do quanto é poético pesquisar a história da própria família. Foram 10 anos de muita labuta, de 1996 a 2006. Passando por cartórios, igrejas, redação de jornais, prisões, enciclopédias, obras de autores de genealogia e visitando familiares no RN e noutros estados brasileiros.

 A 1ª edição foi  lançada em final de 2006 e
2ª edição no final de 2010.

Houve momentos em que consegui de uma só vez uma lista com vários nomes, já em outros levei dias, noutros precisei de meses e até de anos na busca por apenas um nome de alguém que não podia faltar na minha obra, e que ao encontrá-lo, era sempre um momento poético e de satisfação máxima.
 Foi num desses momentos de poesia que compus a música “O Brilho das Estrelas”, para Joselma, e gravei a no meu CD “Acredite em Você”, de 2002.


“O Brilho das Estrelas”, letra e música de Dudé Viana
Só nas estrelas eu posso encontrar
O mesmo brilho que vejo em seu olhar
Tão feminino, beleza de mulher
Iluminado pelo o brilho das estrelas
Vou caminhando na paz de um grande amor
Que só conhece quem vive para amar
Quem já viveu ou quem está vivendo
Quem acredita no poder de um grande amor
Se todo mundo vivesse um grande amor
Não haveria tanta solidão
Se todo mundo vivesse um grande amor
Não haveria tanta desilusão
Se todo mundo olhasse as estrelas
Não perderia a fé no Criador
Aceitaria o brilho das estrelas
Não deixaria morrer um grande amor

                                                               Foto: Orley Gurgel
´Dudé Viana e Joselma Carneiro - "A Noite das Sagas" em Ponta Negra -
23 de dezembro de 2011.

Esta música é sempre solicitada pelo público que vai aos meus shows, e por este motivo, neste dia em que comemoramos o Dia Nacional da Poesia, envio saudações aos AMIGOS POETAS, com a nossa alegria na caminhada de 10 anos com esta canção!

Vídeo no Youtube...
 


terça-feira, 13 de março de 2012

Município Potiguar Sediará Evento sobre Saúde Mental e Cultura

Enfermeira Hanna Eulália de Andrade


                          No próximo 27 de março, dia nacional do circo, o município de Senador Georgino Avelino, no litoral sul do Rio Grande do Norte, vai sediar um simpósio com atividades socioculturais que abordam a temática da saúde mental na sua interface com a arte circense e com as culturas indígena e cigana.


                                                   Foto: Epitácio Andrade
Acesso a Senador Georgino Avelino



                             Distante cerca de 55 km de Natal, capital do estado, o município de Senador Georgino Avelino está encravado na área de proteção ambiental do complexo lagunar Bonfim-Guaraíra e tem 04 km de faixa litorânea, correspondente a Praia de Malembar, uma das únicas que se preserva sem ocupação humana.


                                                Foto: Epitácio Andrade
Centro de Saúde de Senador Georgino Avelino


                              Para o evento sobre saúde mental, as coordenações dos serviços de saúde locais, como o Centro de Saúde de Senador Georgino Avelino, onde se desenvolve um programa especializado há quase 15 anos, estão mobilizando os seus técnicos e usuários/familiares para participarem da realização sociocultural.

                                                     Foto: Epitácio Andrade
Enfermeira Hanna Eulália de Andrade


                              Na sede do município de Senador Georgino Avelino, a mobilização dos técnicos de saúde e dos usuários/familiares da atenção em saúde mental está sendo feita pela enfermeira do Programa de Saúde da Família (PSF) Hanna Eulália de Andrade, que já listou cerca de 30 usuários e igual número de familiares.


                                                    Foto: Epitácio Andrade
Espaço Cultural do Distrito de Carnaúba


                               As atividades do evento serão desenvolvidas na Biblioteca Carlos Drumonnd de Andrade, na sede do município de Senador Georgino Avelino, e no Espaço Cultural do Distrito de Carnaúba, onde se localiza a Biblioteca “Arca das Letras” e está situado a 3 km do centro da cidade.
                                O simpósio sobre saúde mental, arte circense e culturas indígena e cigana pretende envolver as crianças e os adolescentes, por se constituir numa atividade sócio-pedagógica, que está contando com o apoio do articulador social Adriano Gustavo, presidente do Conselho Tutelar do município de Senador Georgino Avelino.


                                                         Foto: Epitácio Andrade
Conselheiro Adriano Gustavo

                            No Distrito de Carnaúba, a mobilização de quase uma centena de usuários com seus familiares está sendo realizada pela enfermeira do Programa de Saúde da Família (PSF) Gizelda Valério Rodrigues, que desenvolveu atividade semelhante, quando participou ativamente do lançamento do livro “A Saga dos Limões”, de Epitácio Andrade Filho, médico psiquiatra do município.


                                             Foto: Epitácio Andrade
Enfermeira Gizelda Valério Rodrigues


                                A base assistencial do programa de saúde mental no distrito é o Hospital de Carnaúba, cujos técnicos estão sendo mobilizados para o evento sociocultural. O Hospital Geral de Carnaúba foi reconstruído, integralmente, na gestão do atual prefeito constitucional do município de Senador Georgino Avelino, Senhor Gonçalo de Assis Bezerra.

                                              Foto: Epitácio Andrade
Hospital geral de Carnaúba

                             O evento sociocultural que será realizado no dia nacional do circo, 27 de março, em homenagem ao palhaço Piolin, promete ser um marco no estado do Rio Grande do Norte, nas realizações que envolvem a interface do campo temático da saúde mental com a cultura.



Texto de Epitácio Andrade